31 de janeiro de 2018 às 15:16

Quase 10% moram em residências pequenas demais na França

Um relatório divulgado nesta terça-feira (30) pela fundação humanitária Abbé Pierre revela que cerca de 9% da população francesa vive em residências pequenas demais, algumas com menos de 15 metros quadrados. O estudo também aponta que 4 milhões de pessoas

Um relatório divulgado nesta terça-feira (30) pela fundação humanitária Abbé Pierre revela que cerca de 9% da população francesa vive em residências pequenas demais, algumas com menos de 15 metros quadrados. O estudo também aponta que 4 milhões de pessoas moram mal ou simplesmente não têm um teto.

Diante da crise da moradia na França, com alugueis cada vez mais altos, principalmente nas grandes cidades, tem crescido no país o número de pessoas que vivem em condições precárias. De acordo com o 23° relatório da fundação, no total cerca de 15 milhões de pessoas enfrentam problemas para manter suas residências na França.

Essas dificuldades se exprimem de várias maneiras. A ponta visível do iceberg são os moradores de rua, cuja população registrou uma alta de 50% entre 2001 e 2012 e já representa 143 mil pessoas. Mas há também uma face oculta do problema, formada por indivíduos que têm uma casa, mas que vivem em condições extremamente precárias e em moradias cada vez menores.

A existência de moradias superlotadas vinha registrando um declínio há décadas, mas voltou a crescer desde 2006. A situação é ainda mais grave na capital Paris, onde esse tipo de residência aumentou 25% entre 2006 e 2013.

Segundo o Instituto Francês de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee na sigla em francês), a medida de superpopulação de uma moradia não é calculada em função do número de metros quadrados por morador, e sim pelos cômodos destinados a cada pessoa. De acordo com o organismo, um quarto e sala são necessários para um casal ou para um adulto com um filho de mais de 15 anos de idade. No entanto, são os numerosos relatos de famílias inteiras vivendo apartamentos de menos de 15m², o que aponta que a regra de dois cômodos por casal raramente é respeitada nos lares mais modestos.

AUMENTO DE FAVELADOS E AQUECEDORES DESLIGADOS NO INVERNO

Além da questão do espaço, outros aspectos chamam a atenção da fundação. Entre 2006 e 2013, o número de pessoas que passam frio dentro de casa por não terem dinheiro suficiente para manter o sistema de aquecimento interno ligado praticamente dobrou. Atualmente, mais de 2 milhões de pessoas vivem sem calefação por razões de economia.

Diante da falta de residência digna, também se multiplicam as moradias clandestinas. Cerca de 16 mil pessoas moram nas 570 favelas ou acampamentos ilegais na França.

Fonte: FOLHA

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