17 de maio de 2018 às 02:00

Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, vai ganhar filial

O museu Guggenheim de Bilbao quer ter um filhinho. O colosso de titânio erguido em 1997 pelo arquiteto americano Frank Gehry nessa cidade do norte da Espanha estuda construir o seu próprio satélite nos próximos anos, expandindo este que foi um dos grande

O museu Guggenheim de Bilbao quer ter um filhinho.

O colosso de titânio erguido em 1997 pelo arquiteto americano Frank Gehry nessa cidade do norte da Espanha estuda construir o seu próprio satélite nos próximos anos, expandindo este que foi um dos grandes empreendimentos culturais das últimas duas décadas.

Os planos ainda são bastante incertos e vão depender do apoio político e do financiamento que receberem daqui para a frente. Mas já há alguns indícios da direção em que o gigante quer caminhar.

O satélite, incluído no plano estratégico de 2018-2020 do museu, deve ser construído nos arredores de Bilbao â?”possivelmente na cidadezinha de Guernica, cenário de uma famosa pintura de Picasso retratando a guerra civil. A escolha tem mais a ver com a proximidade do que com a obra.

A proposta dessa ampliação descontínua é que o museu tenha um espaço menor, isolado e de consumo mais lento. A sede em Bilbao, em contraste, com sua gigantesca e esdrúxula estrutura metálica, à beira do rio e acessível por uma linha de trem, registrou em 2017 um recorde de 1,3 milhão de visitantes.

“Seria outro tipo de entorno, mais natural”, diz à Folha Begoña Martínez Goyenaga, uma das representantes do Guggenheim de Bilbao. “Não temos a intenção de construir uma cópia exata deste.”

O projeto não é exatamente novo. Já se falou nisso em 2008, mas a crise financeira mundial â?”que golpeou a Espanha com especial forçaâ?” obrigou o museu a engavetá-lo. Só agora aquela proposta volta a se insinuar, ainda que discretamente e sem um prazo concreto.

Mas a perspectiva é aguardada pela cidade e, de alguma maneira, pelo restante da comunidade cultural no mundo. O Guggenheim de Bilbao, afinal, representou uma revolução nesse setor há 20 anos. Sua construção fez com que Bilbao, então uma cidade industrial decadente, se tornasse um dos polos globais da arte. 

O processo passou a ser conhecido como efeito Bilbao e foi imitado, com mais ou menos sucesso, em outros países. Também na Espanha, Santiago Calatrava projetou a Cidade de Artes e Ciências de Valência. A tese é que um projeto dessa envergadura, com o nome de um arquiteto estelar, pode transformar os entornos e salvar uma economia já algo decadente.

O museu estima que gerou no ano passado ? 433 milhões, o equivalente a R$ 1,8 bilhão. A conta inclui toda a economia movimentada na cidade, e não apenas o museu. Por exemplo, os hotéis e restaurantes que se alimentam de seu sucesso. A instituição também acredita que, indiretamente, ajuda a manter mais de 9.000 empregos em Bilbao.

“Estávamos desesperados nos anos 1990, e foi preciso uma decisão valente, visionária e pioneira para construir este museu”, diz Goyenaga. “Muito rapidamente, percebemos as consequências positivas.”
A construção de um satélite, porém, é um salto considerável.

Em primeiro lugar, como dito pela diretora, exige um novo conceito. O projeto também tem de levar em conta que o efeito Bilbao original não dependeu só do museu, mas também dos investimentos do governo nos arredores, e não existe hoje o mesmo consenso político nem a mesma urgência econômica.
“Não será simples”, diz Goyenaga. “Mas também não foi simples em 1997.”

Fonte: FOLHA

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