31 de janeiro de 2018 às 02:00

Empréstimo coletivo permite que pequeno investidor financie empresas

Depois da onda de financiamentos coletivos, é a vez das start-ups de empréstimos tomarem a internet.

Depois da onda de financiamentos coletivos, é a vez das start-ups de empréstimos tomarem a internet.

A proposta, chamada de peer-to-peer (P2P) lending, é conectar indivíduos ou negócios que precisam de crédito com quem está disposto a fazer investimentos.

Para o tomador, a modalidade oferece taxas de juros e burocracia menores. Do lado do investidor, as plataformas P2P acenam com retornos mais altos.

Com dois anos de mercado, a Nexoos, com sede em São Paulo, alcançou em 2017 R$ 28 milhões em financiamentos, um crescimento de 1.300% em relação a 2016, seu primeiro ano de operação. A maioria das empresas atendidas é de pequenas e médias, com mais dificuldade de obter crédito no mercado tradicional. O número saiu de 21 empresas em 2016 para 203 em 2017. Na outra ponta, há 7.000 investidores, ante 2.000 em 2016.

Para Daniel Gomes, presidente da Nexoos, uma das vantagens do modelo é que o investidor consegue escolher em qual empresa prefere aportar recursos, e muitos buscam negócios sociais ou empresas com propósito.

"Isso aproxima o P2P da figura do investidor-anjo, só que sem a participação acionária no negócio", diz.

Para pleitear empréstimos, a empresa deve ter faturamento anual mínimo de R$ 250 mil. A análise de risco é digital, com inteligência artificial. Cada investidor pode emprestar até 5% do valor solicitado pela empresa, e a Nexoos fica com 4% do valor das transações.

Criada em 2015, a Biva, também de P2P, financia pequenas empresas, MEIs (microempreendedores individuais) e pessoas físicas em crédito estudantil. Os investimentos partem de R$ 5.000, e em 2017 a fintech teve acesso a R$ 100 milhões.

"O volume é significativo para fintechs, mas longe de incomodar o mercado de crédito. Nem 1% das transações estão nas mãos de start-ups", diz Odair Mofato, diretor de operações da Biva.

O segmento ainda tem desafios pela frente. Um deles é a desconfiança do brasileiro em relação ao crédito por meio digital. No início do negócio, os sócios da Biva tiveram de explicar que não se tratava de agiotagem nem pirâmide financeira.

Outro desafio é o da regulação. Em agosto de 2017, o Banco Central lançou consulta pública sobre essas start-ups. Hoje, elas podem conceder empréstimos desde que estejam associadas a um banco ou outro agente do sistema financeiro.

A consulta foi encerrada em novembro. Como resultado, a proposta estabelece a figura de duas novas instituições financeiras: as SCD (sociedade de crédito direto) e as SEP (sociedade de empréstimos entre pessoas), que abarca o crédito P2P. A expectativa é que as regras estejam prontas ainda neste semestre.

Em nota, o BC diz que "essas instituições estarão sujeitas a um processo simplificado de autorização, bem como a cumprir uma regulamentação proporcional de acordo com seu tamanho e perfil de risco". Com as regras, as start-ups esperam que o mercado de crédito P2P cresça. "A regulação trará mais clareza", diz Gomes, da Nexoos.

Fonte: FOLHA

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